
Partição da classe alta em proprietária, credenciada e dirigente
Source:R/tse.R
tse_para_componente_alta.RdSepara a classe alta nas duas espécies de recurso que a compõem — o capital e
a credencial — além das ocupações propriamente políticas. Devolve NA fora
da classe alta.
Arguments
- cod
Vetor de códigos de ocupação do TSE (numérico ou texto).
- ano
Vetor opcional de anos de eleição, do mesmo comprimento de
cod. Com ele, as candidaturas cujo código o TSE reutilizou depois voltamNAcom aviso, em vez de traduzidas pelo dicionário errado: o código 215 designava um cargo de direção até 2000 e passou a designar artista plástico. Sem ele, o comportamento é o de sempre. Vejatse_vigencia().
As duas metades não têm a mesma confiabilidade
A partição é simétrica no desenho e assimétrica na medição, e quem publica o contraste precisa dizê-lo.
A alta credenciada é ancorada em registro externo. "Advogado" não é autodescrição: pressupõe inscrição na OAB. Por isso o rótulo se comporta de modo estável — entre os que declaram o código 131, a proporção com ensino superior varia pouco mais de um ponto entre vereador e presidente (98,6% a 100%).
A alta proprietária não tem âncora nenhuma. "Empresário" (código 257) é autodeclaração: nenhum registro precisa existir para que alguém se descreva assim. E o mesmo rótulo cobre posições materialmente incomparáveis — entre os que declaram 257, o patrimônio mediano varia por um fator de 25 conforme o cargo disputado:
| cargo | patrimônio mediano de quem declara 257 |
| Vereador | R$ 185.000 |
| Prefeito | R$ 812.544 |
| Senador | R$ 4.678.498 |
Tudo isso sob um único ISEI (68) e uma única classe. Dentro do código, os extremos de patrimônio distam 76 vezes (p10 R$ 19,8 mil, p90 R$ 1,50 milhão). A tabela acima e esses dois quantis saem de tse_autorrotulo_patrimonio, e não estão digitados aqui — a versão anterior deles estava, e sobreviveu errada à correção do patrimônio de 09/2026.
O 257 não é uma ocupação medida com erro: é uma mistura de duas populações — o microempreendedor e o capitalista — sob um rótulo só. Nenhum escore único está certo para as duas, razão pela qual mudá-lo de valor não resolve (veja tse_codigos_autorrotulo).
Consequência: um gráfico que compare os dois componentes está comparando uma quantidade ancorada em registro externo a uma quantidade autodeclarada que agrega posições muito distantes. Teoricamente a partição é boa (é Bourdieu e Wright operacionalizados), mas Wright insistia em employment relations, não em rótulos.
O que o dado NÃO mostra, e vale dizer para que ninguém repita: não há evidência de que as pessoas troquem de rótulo conforme o cargo. A frequência do 257 não cresce com a importância do posto — tem pico em prefeito (10,6%) e cai em senador (7,2%) e governador (6,9%). Quem cresce monotonicamente é "advogado" (1,6% a 14,8%), que é o caso ancorado, e "comerciante" cai de 6,2% a 0%. O gradiente de patrimônio acima é consistente tanto com recrutamento seletivo quanto com relabeling, e estes dados não separam as duas hipóteses.
Se a sua conclusão depende do tamanho relativo dos dois componentes, rode-a também sem tse_codigos_autorrotulo e relate as duas versões.
Examples
tse_para_componente_alta(c(257, 111, 274, 411))
#> [1] "Alta proprietária" "Alta credenciada" "Dirigentes e políticos"
#> [4] NA