O artigo de método
As decisões que a ponte entre o cadastro do TSE e a ISCO-88 exigiu estão documentadas em:
Peixoto, V. (2026). Da ocupação declarada à posição social: as decisões de medida do pacote
ocupacoesBR. SocArXiv (preprint). https://doi.org/10.31235/osf.io/b29kg_v1
O artigo é o lugar onde as escolhas são justificadas, e não apenas
descritas: por que o agricultor deixou de ser tratado como proprietário,
por que o NA é preferível a um escore plausível, por que o
patrimônio serve de critério externo apesar de tudo o que há de errado
com ele. A documentação do pacote diz o que fazer; o artigo diz por
quê.
Trabalhos que usam o pacote
Estes são os trabalhos empíricos que usam o ocupacoesBR
como instrumento de medida. São o teste de uso do pacote: cada um deles
exigiu dele algo que a documentação sozinha não teria revelado.
Peixoto, V. (2026). Os três corpos de uma eleição: eleitorado, candidaturas e eleitos no Brasil (1998–2026). SocArXiv (preprint). https://doi.org/10.31235/osf.io/57xp6_v1
O retrato descritivo das três populações. É de onde vêm as exigências
de série longa que moldaram o tratamento da quebra de cadastro de 2002 —
o argumento ano e o tse_vigencia() existem
porque este trabalho precisava comparar 1998 com 2024 sem somar duas
ocupações na mesma linha.
Peixoto, V. (2026). As duas faces da classe no recrutamento político brasileiro. SocArXiv (preprint). https://doi.org/10.31235/osf.io/muxf8_v1
O trabalho que separa a classe de origem da classe de destino no recrutamento — e que é a razão de o pacote desacoplar as réguas em vez de escolher uma.
Se você publicou algo usando o pacote e quer que apareça nesta lista, abra uma questão em https://github.com/moraespeixoto/ocupacoesBR/issues.
A fonte das réguas
O pacote é o veículo, não a fonte. As réguas — o ISEI, o prestígio de
Treiman, o esquema EGP — não foram construídas aqui. Elas vêm das
sintaxes publicadas do International Stratification and Mobility
File, de Ganzeboom e Treiman, redistribuídas em
inst/extdata/fontes/ com atribuição para que a geração das
tabelas seja reproduzível. Citar só o pacote credita a embalagem e omite
o conteúdo.
O ISEI-BR inverte isso, e é a única régua que inverte. Ele não foi
importado de lugar nenhum: o pacote o estima, com o script
data-raw/09_gera_isei_br.R, sobre microdados públicos. Quem
o usa deve três citações. O pacote, porque a estimação é dele.
Ganzeboom, De Graaf e Treiman (1992), porque o método é deles. E o IBGE,
pela PNAD Contínua trimestral de 2025, porque o dado é dele. Creditar só
Ganzeboom aqui seria o erro simétrico do anterior: atribuiria a eles
números que não calcularam.
Ganzeboom, H. B. G. e Treiman, D. J. (1996). Internationally comparable measures of occupational status for the 1988 International Standard Classification of Occupations. Social Science Research, 25(3), 201–239. https://doi.org/10.1006/ssre.1996.0010
Ganzeboom, H. B. G., De Graaf, P. M. e Treiman, D. J. (1992). A standard international socio-economic index of occupational status. Social Science Research, 21(1), 1–56. https://doi.org/10.1016/0049-089X(92)90017-B
O prestígio ocupacional vem de Treiman, D. J. (1977), Occupational Prestige in Comparative Perspective (Academic Press) — uma média de estudos de cerca de 60 países levantados nos anos 1960 e 1970. Aplicá-lo a dado recente pressupõe que a ordem de prestígio é invariante no tempo, que é a tese de Treiman e não um fato dado.
O que é autoral aqui, e por isso pede a citação do pacote, é a ponte entre o cadastro de ocupações do TSE e a ISCO-88, com as decisões de medida que ela exige, e o esquema de classes e estratos desenhado para o dado eleitoral.
Sobre os limites do EGP no Brasil
O esquema EGP é portado fielmente das sintaxes originais, mas fidelidade à sintaxe não é adequação ao caso brasileiro. Antes de usá-lo, vale ler:
Carvalhaes, F. (2015). A tipologia ocupacional Erikson-Goldthorpe-Portocarero (EGP): uma avaliação analítica e empírica. Sociedade e Estado, 30(3), 673–703.
A vinheta Qual régua responde à sua pergunta explica em que condições o EGP construído a partir do cadastro do TSE é interpretável, e em que condições não é.
As referências do pacote, como o R as devolve
citation("ocupacoesBR")
#> Ao usar o ocupacoesBR, cite o pacote E a fonte das escalas. As tabelas
#> de ISEI, prestigio e EGP derivam das sintaxes publicadas do
#> International Stratification and Mobility File; Ganzeboom e Treiman as
#> mantem ha tres decadas e pedem citacao expressa. O pacote e o veiculo,
#> nao a fonte -- citar so o pacote apaga a autoria de quem construiu as
#> reguas. Veja tambem o arquivo LICENSE.note.
#>
#> O ISEI-BR e a excecao: ele nao foi importado, o pacote o estimou sobre
#> a PNAD Continua de 2025. Quem o usa deve tres citacoes -- o pacote pela
#> estimacao, Ganzeboom, De Graaf e Treiman (1992) pelo metodo, e o IBGE
#> pelo dado. Veja ?isco08_isei_br.
#>
#> O pacote:
#>
#> Peixoto V (2026). _ocupacoesBR: Traduz a Ocupacao Declarada ao TSE em
#> Classificacoes Padronizadas_. R package version 0.8.1,
#> <https://github.com/moraespeixoto/ocupacoesBR>.
#>
#> O artigo de metodo, onde as decisoes sao justificadas:
#>
#> Peixoto V (2026). "Da ocupacao declarada a posicao social: as
#> decisoes de medida do pacote ocupacoesBR."
#> doi:10.31235/osf.io/b29kg_v1
#> <https://doi.org/10.31235/osf.io/b29kg_v1>. Preprint.
#>
#> A fonte do ISEI, do prestigio e do EGP:
#>
#> Ganzeboom HBG, Treiman DJ (1996). "Internationally comparable
#> measures of occupational status for the 1988 International Standard
#> Classification of Occupations." _Social Science Research_, *25*(3),
#> 201-239. doi:10.1006/ssre.1996.0010
#> <https://doi.org/10.1006/ssre.1996.0010>.
#>
#> A construcao original do ISEI:
#>
#> Ganzeboom HBG, De Graaf PM, Treiman DJ (1992). "A standard
#> international socio-economic index of occupational status." _Social
#> Science Research_, *21*(1), 1-56. doi:10.1016/0049-089X(92)90017-B
#> <https://doi.org/10.1016/0049-089X%2892%2990017-B>.
#>
#> O dado do ISEI-BR:
#>
#> IBGE (2025). _Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilios Continua
#> trimestral: microdados_. Instituto Brasileiro de Geografia e
#> Estatistica, Rio de Janeiro.
#> <https://ftp.ibge.gov.br/Trabalho_e_Rendimento/Pesquisa_Nacional_por_Amostra_de_Domicilios_continua/Trimestral/Microdados/>.
#>
#> O prestigio ocupacional vem de Treiman, D. J. (1977), Occupational
#> Prestige in Comparative Perspective (Academic Press) -- uma media de
#> estudos de cerca de 60 paises levantados nos anos 1960 e 1970.
#> Aplica-lo a dado recente pressupoe que a ordem de prestigio e
#> invariante no tempo, que e a tese de Treiman e nao um fato dado. Veja
#> ?tse_para_siops.
#>
#> To see these entries in BibTeX format, use 'print(<citation>,
#> bibtex=TRUE)', 'toBibtex(.)', or set
#> 'options(citation.bibtex.max=999)'.São quatro entradas. As duas primeiras — o pacote e o artigo de método — devem aparecer juntas em qualquer trabalho que use o pacote: uma credita o instrumento, a outra a justificativa das decisões que ele embute. As demais creditam as réguas, e entram conforme a régua usada.
