Esquema de doze categorias desenhado para o dado eleitoral brasileiro. Não é
o EGP: parte do ISCO como o EGP parte, mas trata como categorias próprias
duas situações que o registro eleitoral cria e que os esquemas canônicos não
preveem — proprietários e empregadores nomeados pelo próprio código de
ocupação, e o vínculo público declarado sem função especificada. Para o EGP
canônico, veja tse_para_egp().
Arguments
- cod
Vetor de códigos de ocupação do TSE (numérico ou texto).
- superior
Vetor lógico opcional, do mesmo comprimento de
cod, indicando ensino superior completo. Quando fornecido, a categoria residual "Vínculo público não especificado" — que sozinha reúne cerca de 9% das candidaturas, do faxineiro ao secretário de finanças — é dividida pela escolaridade declarada.- ano
Vetor opcional de anos de eleição, do mesmo comprimento de
cod. Com ele, as candidaturas cujo código o TSE reutilizou depois voltamNAcom aviso, em vez de traduzidas pelo dicionário errado: o código 215 designava um cargo de direção até 2000 e passou a designar artista plástico. Sem ele, o comportamento é o de sempre. Vejatse_vigencia().
O agricultor, e por que ele não tem classe própria
Os códigos 601 (agricultor) e 604 (pescador) ficam em "Trabalhadores rurais", portanto nas classes populares, embora tse_para_egp() os
classifique como IVc: proprietário rural. A aparente discordância entre as
duas medidas é artefato de granularidade, e o registro é útil porque a
classe própria chegou a ser criada, em 29/07/2026, e foi revertida no mesmo
dia.
O esquema relacional separa IVc de VIIb nas onze e nas sete classes. Nos dois colapsos mais fortes de Erikson e Goldthorpe, o agricultor e o assalariado rural voltam a ser a mesma coisa:
n_classes | 601 agricultor | 606 assalariado rural |
| 11 | IVc | VIIb |
| 7 | IVc | VIIb |
| 5 | IVc+VIIb | IVc+VIIb |
| 3 | Agrícolas | Agrícolas |
A linha de sete classes estava ausente desta tabela até 05/09/2026, e a ausência importava: ela é o colapso mais usado para publicar, e nela a distinção sobrevive. Comparar um esquema de onze classes com uma partição em três estratos é comparar resoluções diferentes, não encontrar divergência. Só nas resoluções equivalentes à do estrato o próprio EGP funde os dois.
O dado externo concorda. O ISEI do agricultor, 23, está dentro da faixa das classes populares, que vai de 16 a 43, e corresponde ao percentil 5 do dicionário. O patrimônio mediano declarado, de R$ 122.395, fica dentro da faixa das classes populares, cujo máximo é R$ 126.801 – só um dos sessenta demais códigos do estrato declara mais: põe o agricultor no topo da classe popular, não fora dela.
A distinção entre agricultura familiar e proletariado rural é real, e continua
disponível onde Erikson e Goldthorpe a puseram: em
tse_para_egp(n_classes = 11). O que não se justifica é transportá-la para a
partição em estratos.
Não há equivalente pela COD, e o motivo é do esquema
cod_para_classe() não existe, e não é omissão. Quatro das categorias deste
esquema — "Vínculo público não especificado", "Fora da PEA por posição",
"Inativo com trajetória" e "Não informado" — são rubricas do formulário do
TSE, e não posições da ISCO. Elas existem porque o cadastro do Tribunal
oferece à pessoa rótulos que substituem a ocupação em vez de a nomear. A
PNAD Contínua e o Censo não têm nada disso: lá, vínculo e ocupação são
perguntas separadas, e quem é servidor público também declara a
ocupação. Traduzir o esquema para a COD exigiria inventar do lado da
população categorias que só existem por causa de um formulário.
A consequência prática é direta: este esquema não atravessa para a população, e quem precisa comparar composição de classe entre as duas fontes não tem régua pronta. O caminho é comparar pelo ISEI, que é literalmente o mesmo construto dos dois lados, ou construir uma régua própria declarando as categorias que só existem de um lado. O tamanho do problema está medido em tse_universo e o artigo Comparar duas fontes desenvolve as alternativas: https://moraespeixoto.github.io/ocupacoesBR/articles/comparar-fontes.html
