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A distribuição brasileira de posição no emprego — conta própria, empregador, número de empregados, setor público, posição militar — para cada código ISCO-88, apurada nos microdados da PNAD Contínua de 2025.

Usage

isco_posicao_br

Format

data.frame com 319 linhas:

isco88

código ISCO-88 de quatro dígitos.

n_pessoas

pessoas distintas observadas (a medida honesta de precisão; veja a seção sobre o painel).

n_obs

observações pessoa-trimestre.

pct_conta_propria

% que trabalha por conta própria ou é empregadora — o SEMPL = 2 das sintaxes do ISMF.

pct_empregador

% que é empregadora.

pct_emp_11mais

entre os empregadores, % com 11 ou mais empregados — o limiar que separa a ISCO 12 da 13. NA onde há menos de 25 empregadores na célula.

pct_setor_publico

% empregada do setor público, inclusive empresas de economia mista (V4012 == 4). É a coluna que torna comparável, do lado da população, o vínculo público que o formulário do TSE oferece como rótulo — veja a seção "O vínculo público".

pct_militar

% cuja posição declarada é militar (V4012 == 2). Leia a seção "Militar é duas coisas" antes de usar: esta coluna não é o grande grupo 0 da ISCO-88, e a diferença é o assunto.

grupo

o grande grupo de dois dígitos.

n_pessoas_grupo, pct_conta_propria_grupo, pct_empregador_grupo, pct_setor_publico_grupo, pct_militar_grupo

o mesmo, apurado no grupo de dois dígitos. Cada linha carrega a sua própria estimativa e a do grupo, para que quem cair numa célula fina possa recuar um nível sem refazer a conta — e veja, lado a lado, com que n cada uma foi apurada.

Source

Microdados da PNAD Contínua trimestral, IBGE, quatro trimestres de 2025, acessados em 28/07/2026. https://ftp.ibge.gov.br/Trabalho_e_Rendimento/Pesquisa_Nacional_por_Amostra_de_Domicilios_continua/Trimestral/Microdados/ Gerada por data-raw/07_gera_posicao.R. Os microdados não viajam com o pacote (212 MB por trimestre); o que entra é esta tabela agregada.

Para que serve

O EGP não é função só da ocupação: as regras do ISMF pedem a posição no emprego e a supervisão. O formulário do TSE não pergunta nenhuma das duas, e por isso o esquema sai degradado (veja isco88_para_egp()). Esta tabela é o prior empírico dessa variável ausente: não imputa a posição de ninguém, e sim informa qual é a composição da ocupação no país.

O uso legítimo é análise de sensibilidade — rodar o EGP com e sem a posição provável e ver se a conclusão se move. O uso ilegítimo é tratar a proporção como se fosse o caso individual.

O painel rotativo

A PNAD reentrevista o mesmo domicílio por cinco trimestres. Os quatro trimestres de 2025 somam 864.870 observações de 437.880 pessoas distintas (1,98x). Somá-los como amostras independentes inflaria o n sem acrescentar informação na mesma proporção. Por isso os pesos são divididos pelo número de trimestres — as estimativas são a média do ano civil, com os pesos somando a população e não quatro vezes ela — e a coluna de precisão é n_pessoas.

O que ela mostra, e por que isso importa

A ISCO 61 é, na definição da OIT, quem opera a própria terra; a 92 é o assalariado rural. O dado brasileiro separa as duas com folga:

ISCO-88conta própria ou empregador
61 (agrícolas qualificados)67,6%
6150 (pesca)83,8%
92 (rurais elementares)16,5%
todas as ocupações29,4%

É a evidência externa que motivou separar tse_isco$conta_propria de tse_isco$proprietario: o agricultor familiar trabalha por conta própria sem pertencer à classe proprietária.

Como candidatos são selecionados por patrimônio, tomar estas proporções como piso — e não como estimativa central — é a leitura conservadora.

O vínculo público

O cadastro de ocupações do TSE oferece à pessoa quatro rótulos que substituem a ocupação em vez de a nomear — 291 OCUPANTE DE CARGO EM COMISSÃO e 296/297/298 SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL/ESTADUAL/MUNICIPAL. Nenhum tem ISCO, e corretamente: não designam ocupação. Na PNAD Contínua as mesmas pessoas têm ocupação declarada, porque vínculo e ocupação são duas perguntas separadas. Medido nos quatro trimestres de 2025, o setor público é 11,7% dos ocupados com endereço na ISCO-88, e se distribui assim pelo grande grupo:

dígito123456789
% do setor público4,037,918,714,212,10,11,13,68,3

Quase quatro em dez estão no dígito 2, professores sobretudo. Uma comparação de composição entre as duas fontes que não trate disso compara um universo que exclui servidores com outro que os inclui. O artigo Comparar duas fontes, no site do pacote, mede a consequência: https://moraespeixoto.github.io/ocupacoesBR/articles/comparar-fontes.html

Esta coluna não conserta o construto, só o denominador: no TSE o vínculo público é uma escolha de rótulo, feita por quem podia ter escrito "professor"; aqui é a posição de quem também declarou a ocupação.

Militar é duas coisas, e elas discordam

O dicionário do IBGE define V4012 == 2 como "militar do exército, da marinha, da aeronáutica, da polícia militar ou do corpo de bombeiros militar". Não é o grande grupo 0 da ISCO-88. Medido aqui: entre quem declara essa posição, 39,9% cai no grande grupo 0 pelo código de ocupação e 60,1% cai no 5, o dos serviços protetivos. A pergunta sobre posição e a pergunta sobre ocupação discordam sobre quem é militar no Brasil, e a discordância é a mesma que a COD registra ao alocar a polícia militar e o bombeiro militar ao grande grupo 0 — adaptação que cod_para_isco() desfaz, devolvendo 5162 e 5161.

A consequência prática: pct_militar não é o tamanho das forças armadas (0,81% dos ocupados inclui o policiamento militar), e não deve ser somada nem comparada com a parcela do grande grupo 0 como se fossem a mesma coisa. Nenhuma das duas respostas é o erro da outra; são construtos diferentes.

As quatro colunas não se somam a 100

pct_conta_propria, pct_setor_publico e pct_militar são mutuamente exclusivas — V4012 vale 2, 4, 5 ou 6, e nunca duas ao mesmo tempo — e a soma das três nunca passa de 100. O que sobra é empregado do setor privado, trabalhador doméstico e trabalhador familiar auxiliar. pct_empregador não entra nessa soma: é subconjunto de pct_conta_propria.

A tabela atravessa a ponte reversa

A PNAD classifica por COD, e a chave desta tabela é a ISCO-88, de modo que data-raw/07_gera_posicao.R percorre COD -> ISCO-08 -> ISCO-88. O segundo passo é a ponte reversa, que isco08_para_isco88() documenta como voltando ao ponto de partida em apenas 69% dos códigos. A advertência existia lá e não aqui, que é onde quem usa esta tabela vai olhar (auditoria de 05/09/2026).

Na prática o dano é pequeno, porque as linhas publicadas são grupos de dois dígitos e a perda da ponte está sobretudo no quarto. Mas quem descer ao código de quatro dígitos desta tabela deve saber que a chave passou por uma tradução que não é bijetiva.

Examples

# Dentro do mesmo ISCO convivem quem trabalha por conta própria e quem
# emprega. É esta tabela, medida na PNAD Contínua, que separa os dois — e
# foi ela que tirou o agricultor da classe alta.
p <- isco_posicao_br
head(p[order(-p$pct_conta_propria),
       c("isco88", "n_obs", "pct_conta_propria", "pct_empregador")], 5)
#>     isco88 n_obs pct_conta_propria pct_empregador
#> 172   5152    67             100.0            0.0
#> 191   6154     2             100.0            0.0
#> 107   3241   331              96.6            2.9
#> 229   7312    25              93.5            0.0
#> 295   9112  1892              92.1            0.9