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O ISEI que o pacote carregava era importado: Ganzeboom, De Graaf e Treiman (1992) escalonaram a ISCO sobre 31 conjuntos de dados de dezesseis países, levantados entre 1968 e 1982. O Brasil está entre eles, e não de passagem: a PNAD de 1973 e a de 1982 deram 15.439 dos 73.901 homens da amostra — 20,9%, a segunda maior contribuição nacional, atrás só da norte-americana.

Usage

isco08_isei_br

Format

data.frame com 590 linhas, uma para cada chave de isco08_medidas, e as colunas:

isco08

código ISCO-08 de quatro dígitos.

isei_br

escore, contínuo entre 10 e 90.

n_pessoas

pessoas distintas na célula que forneceu o escore.

n_obs

observações trimestrais nessa mesma célula.

nivel

em quantos dígitos o escore foi apurado: 4 é a própria ocupação, 3, 2 e 1 são grupos cada vez mais grossos.

anos_estudo

média de anos de estudo na célula, sem residualizar.

log_renda

média do log do rendimento habitual, sem residualizar.

Os atributos theta, beta_direto, beta_total, parcela_mediada, n_obs e n_pessoas guardam os parâmetros da estimação e o tamanho da amostra que a produziu. Note que n_obs como atributo é a amostra de estimação inteira, e n_obs como coluna é a célula daquela linha.

Source

PNAD Contínua trimestral, microdados dos quatro trimestres de 2025, IBGE. Acesso em 05/09/2026. Gerada por data-raw/09_gera_isei_br.R, com a sensibilidade em data-raw/09b_sensibilidade_isei_br.R; os sha256 dos arquivos estão em inst/extdata/PROVENIENCIA.yml.

Details

O que a régua importada não faz é deixar o Brasil ter ângulo próprio. Os dezesseis países entram num único escalonamento, e o dado brasileiro que o alimenta é de 1973 e 1982. Esta tabela é o mesmo procedimento refeito do zero sobre a PNAD Contínua de 2025, com um ângulo estimado só aqui. Ela fecha a lacuna que vignette("validacao") declarava em aberto.

Método

A ocupação entra como variável interveniente entre escolaridade e renda, e o escore de cada ocupação é a combinação das médias de escolaridade e de renda dos seus ocupantes que minimiza o efeito direto da escolaridade sobre a renda. A amostra tem idade de 21 a 64 anos, ambos os sexos, pelo menos 30 horas semanais no trabalho principal e rendimento habitual positivo. Escolaridade e renda entram residualizadas em idade, idade ao quadrado, sexo e trimestre. O peso é dividido pelo número de trimestres, porque a PNAD é painel rotativo e a mesma pessoa reaparece.

O resíduo, que é achado e não defeito

O procedimento de 1992 supõe que a ocupação medeia integralmente a relação entre escolaridade e renda, e escolhe o ângulo onde o efeito direto zera. No Brasil ele não zera. A curva tem mínimo interior e para em 0,206, contra um efeito total de 0,494, de modo que a ocupação medeia 58,4% do efeito. Os outros 41,6% são escolaridade que paga dentro da mesma ocupação, o que se lê como heterogeneidade intraocupacional e informalidade. Adota-se o ângulo de mínimo e publica-se o resíduo.

Sensibilidade

O ordenamento não depende do ângulo exato nem das escolhas de método. A correlação de Spearman entre a escala no ângulo adotado e em mais ou menos 0,15 radianos é de 0,999. Sete especificações alternativas foram testadas, entre elas exigir 40 horas, dispensar a restrição de horas, usar renda-hora, usar rendimento efetivo, restringir a homens como o artigo de 1992 fez, e usar escolaridade em categorias: nenhuma move o ordenamento abaixo de 0,99 contra a especificação adotada, e a parcela mediada fica sempre entre 57,9% e 60,1%. Quem reproduz esses três números é data-raw/09b_sensibilidade_isei_br.R, que imprime a tabela inteira e não grava nada.

A escala não é a do ISEI, e isso importa na comparação

Os escores saem de um min–max sobre as células de estimação, para o intervalo de 10 a 90. O intervalo é o mesmo do ISEI, a dispersão não: o desvio padrão do ISEI-BR é da ordem de 14 a 15, contra 21 do ISEI-08, porque o min–max é governado pelas células extremas. A consequência é operacional e foi encontrada na auditoria de 05/09/2026: a diferença bruta isei_br - isei08 correlaciona-se a -0,85 com o próprio isei08, de modo que a lista das ocupações que "mais sobem" é, em boa parte, a lista das que estavam mais embaixo. Num gráfico das duas, a diagonal de 45 graus marca a igualdade de escore e não a de posição.

Para comparar as duas réguas, padronize as duas antes de subtrair. É o que vignette("validacao") passou a fazer. Para usar o ISEI-BR sozinho — que é o uso previsto — nada disso importa, porque a escala é monotônica e qualquer análise por ordenamento é indiferente a ela.

O que se perde

A COD funde oficiais e praças de polícia e bombeiro militar, então a escala não distingue os dois. Códigos da ISCO-08 em que nenhuma COD aterrissa herdam o escore do grupo acima. Dos 407 códigos de quatro dígitos, 348 têm escore próprio e 59 são herdados por terem menos de 30 pessoas na amostra. As outras 183 linhas são as formas arredondadas de dois e três dígitos, que existem porque a ocupação declarada ao TSE é grossa e aterrissa nelas.

O que ela não é

Não é substituta do ISEI-08. Comparação internacional continua exigindo a âncora internacional, e uma série não troca de régua no meio. É um ano só, 2025, e não forma série.

References

Ganzeboom, H. B. G., De Graaf, P. M., & Treiman, D. J. (1992). A standard international socio-economic index of occupational status. Social Science Research, 21(1), 1-56.

See also

tse_para_isei_br() e as irmãs por COD, CBO-2002 e ISCO-08.

Examples

head(isco08_isei_br)
#>   isco08 isei_br n_pessoas n_obs nivel anos_estudo log_renda
#> 1   0000    66.2      1077  2063     1       13.98    8.6006
#> 2   0100    83.4       295   552     2       15.69    9.2848
#> 3   0110    83.4       295   552     3       15.69    9.2848
#> 4   0200    60.4       798  1511     2       13.40    8.3687
#> 5   0210    60.4       798  1511     3       13.40    8.3687
#> 6   0300    66.2      1077  2063     1       13.98    8.6006

# Concorda com a âncora internacional sem ser cópia dela.
f <- isco08_isei_br[isco08_isei_br$nivel == 4, ]
i <- isco08_medidas$isei08[match(f$isco08, isco08_medidas$isco08)]
round(stats::cor(f$isei_br, i, use = "complete.obs", method = "spearman"), 3)
#> [1] 0.894

# Os parâmetros da estimação viajam com a tabela.
attributes(isco08_isei_br)[c("theta", "parcela_mediada")]
#> $theta
#> [1] 1.0375
#> 
#> $parcela_mediada
#> [1] 58.4
#>